Em meio ao caos, mortes, fome e a busca de bens essenciais de primeira necessidade, do confinamento e da grande crise económica mundial, a Igreja e o Estado angolano (Ministério da Saúde) formam mais de 40 facilitadores voluntários, dentre jovens, líderes comunitários e tradicionais, leigos, pastores e professores da Faculdade de Teologia do Quéssua, sobre a matéria de prevenção para servirem à populações mais vulneráveis durante a pandemia de Covid-19.

“Queremos trabalhar juntos num projecto humanitário e social que através da prevenção, se pretende preservar a vida, como também melhorar a qualidade da saúde entre as populações mais vulneráveis´´, disse o Rev. Dr. Leonardo Garcia Salgado, um dos formadores do programa.

O trabalho social continua a ser uns dos sinais distintos da Igreja Metodista Unida, e para este trabalho baseou-se no livro de Jeremias 33:6: Eis que eu trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de verdade.

´´Para o cumprimento deste programa, estão aqui, a Igreja Metodista Unida, o gabinete provincial e municipal da saúde, membros da equipe de saúde e do Centro de saúde do Quéssua´´, sublinhou Salgado.

´´Este encontro, visava formar facilitadores voluntários com responsabilidade de promover a educação sanitária nas comunidades sobre prevenção da contaminação comunitária, ensinar as técnicas de higiene das mãos e a respiratória, exortar a população a cumprir com o distanciamento social, a limpeza e desinfecção no lar e o uso frequente de máscaras em locais públicos´´, afirmou Chicosseno Salvador.

Até o dia 4 de agosto, Angola contava com 1.280 casos confirmados, sendo 746 activos, 476 recuperados e 58 mortos.

 “O programa Covid-19 é uma iniciativa da Igreja´´, disse Salvador.

´´O Ministério da Saúde entra no projecto com seu efectivo, apenas para formar os voluntários, uma vez a Igreja sendo parceira do estado, dai que quando as actividades são relacionadas com a saúde, contamos sempre com a colaboração da comissão inter-ministerial na dianteira´´, concluiu Salvador na entrevista.

“Agradecemos o programa Covid-19 que a Metodista Unida do Quéssua está a desenvolver”, disse Heinor Canda, representante do departamento de saúde e controle de endemia em Malanje.

“Nós como parceiros da Igreja, estamos aqui para ajudar com aquilo que é possível. A Igreja tem ajudado muito o governo angolana na luta contra a Covid-19, particularmente aqui em Malanje´´, explicou Canda.

Mais de 40 facilitadores voluntários, dentre jovens, líderes comunitários e tradicionais foram devidamente preparados para a grande missão.

Falando a nossa reportagem Francisco Caetano, um dos líderes comunitários da aldeia do Mufongo, disse “aprendemos que devemos usar bem as máscaras. A máscara deve cobrir o nariz, boca e o queixo. Aprendemos também que temos que lavar as mãos constantemente durante 30 ou 40 segundos´´.

Em algumas zonas rurais ainda é um grande desafio o uso de máscaras. Paralelamente a esse facto, há algumas pessoas que, mesmo tendo a máscara, o seu uso continua sendo indevido.

À semelhança do surgimento do HIV-SIDA, onde muitas pessoas eram estigmatizadas, há rumores nas comunidades a volta daquelas pessoas padecendo da Covid-19, que estão sendo ostracizadas.

“Saimos daqui instruídos que não devemos desprezar ninguém que porventura mostre sintomas semelhantes aos da Covid-19, porque nem todo sintoma está relacionado com a doença´´, disse Francisco Massango, representante da Aldeia da Manga.