A Igreja Metodista Unida em Angola encontra-se instalada em todo território nacional, mas o conflito armado que durou mais de 27 anos, fez com que dezenas de comunidades e lugares de culto fossem encerrados na Província de Malanje, Conferência Anual do Leste de Angola.

Por esta razão e motivados pela Grande Comissão (Mateus 28:18-20), a Direcção Geral de Estudos e Projectos da Conferência, liderada pelo Assistente Episcopal Rev. André Cassule Zundo Vieira, apresentou um plano estratégico de abertura e reabertura de novas Igrejas, acto que irá começara partir do distrito eclesiástico de Malanje e Kiwaba Nzoji, por ser a sede Episcopal.

“Pastor Joaquim Carlos, o seu trabalho, a sua Igreja ainda estão aqui. Depois deste tempo todo em que a guerra nos separou, depois desse todo o tempo que as circunstâncias da vida tentaram-nos destruir, tu estás aqui e vamos reconstruir a igreja de Cristo,’’ disse Domingas Milagre, ex-diretora local da Sociedade das Mulheres Metodistas.

A Conferência do Leste de Angola tem oito (8) distritos: Malanje e Kiwaba Nzoji, Kalandula, Quela e Kambundi Katembu, Lunda Sul, Lunda Norte, Moxico e Bié Cuando Cubango, e supervisionado a república da Namíbia.

Passados quase 38 anos, a Conferência anual do Leste de Angola abre e reabre a Igreja Metodista Unida de Capanda, no município de Cangandala na comuna de Caribo, aldeia de Capanda.

“A nossa viagem para aqui em Capanda tem um único objectivo: reabrir este templo de Capanda,’’ disse o pastor Joaquim Carlos, ministro que pastoreou aquela comunidade entre os anos 1977 ate 1983.

A capela de Capanda foi construída no ano de 1981 e inaugurada em 1982 pelo bispo Emérito Emílio Júlio Miguel de Carvalho.

“Depois da construção e inauguração da Igreja, pastoreei apenas um ano, em 1983”.

Ao pastor Carlos foi oferecida uma oportunidade de ir à Luanda aumentar o seu nível académico, dai que serviu apenas um ano em Capanda.

“Quando fui pastor na altura, não éramos permitidos a circular em muitas localidades e mesmo para a dedicação da capela não se chegou a fazer por causa da guerra civil, e volvidos quase 38 anos, pela graça de Deus reabrimos e dedicamos o templo de Capanda,” explicou Rev. Carlos, antigo pastor da Igreja de Capanda.

O conflito armado em Angola retardou a expansão e o serviço evangelístico da igreja no país. Volvidos quase 27 anos depois do fim do conflito armado, a Conferência do Leste viu a necessidade de dar continuidade com os trabalhos da dedicação de capelas que outrora não estavam terminadas e levar avante a missão de evangelizar acompanhada pela construção de novas capelas.

“Muito obrigado pela vossa presença, desde os tempos passados aqui só havia duas Igrejas, a Católica Romana e a Metodista Americana. Fico feliz porque vocês vieram com um propósito, que é a reabertura da antiga Igreja, eu devo respeito a Deus,” frisou o soba Xavier Ngando, líder tradicional de Capanda ao usar da palavra.

“Não tenho muito a dizer se não agradecer, pois apesar do conflito armado, o templo ainda encontra-se em pé,” disse Ngando.

“Durante este período, foi meu desejo poder ver esta Igreja reabrir porque o povo aqui tem fome e sede da palavra da vida e de salvação. Espero que a vossa intenção de evangelizar e servir este povo, não seja apenas uma promessa que não será comprida,” terminou Ngando.

No contexto africano, nas cerimónias públicas sempre conta-se com a presença da liderança comunitária e tradicional.

“A nossa presença cá deve-se a visita e a reabertura desta capela, que por causa do conflito armado no país ficou abandonada. Mas hoje, com a graça e liderança do Espírito Santo aqui estamos de volta a esta casa do Senhor para dedica-la,” disse o pastor Alberto Cabamba, nomeado naquele circuito.

Por sua vez, o administrador adjunto comunal de Capanda, António Manuel da Cruz, sublinhou: “Nós, como administração, agradecemos a vossa presença apesar de ser domingo. Para nós, a Igreja é uma grande parceira do estado ou do governo. Para nós podermos governar, precisamos de apoio dos nossos parceiros sociais”.

“Na verdade, sentíamos a falta do evangelho cá na comuna de Caribo, por isso sejam bem-vindos e esperamos que a Igreja instale-se definitivamente,” concluiu Cruz.

“Importa realçar que o projecto para reabertura dos templos destruídos pelo conflito armado, e abertura de novas áreas de evangelização, com os seus respetivos pontos de pregação, foi pensado pela diretoria geral de estudos e Projectos, implementado e acompanhado pela mesma direcção com o conhecimento e bênção do Reverendíssimo Bispo José Quipungo,” disse o Rev. André Cassule Zundo Vieira, director geral de estudos e Projectos e assistente episcopal.

Segundo Vieira, “a conferência tem áreas férteis para a implantação de novas Igrejas’’, tendo citando as localidades da Quimbamba, as áreas de Kangandala, de Mufuma e a de Kiwaba Nzoji.

“Durante algum tempo, a direcção geral de estudos e Projectos da nossa Conferência fez um estudo minucioso e chegou à conclusão de que devemos ir pelas localidades aonde nossas capelas foram destruídas pela guerra, e criarmos condições para a sua restauração,’’ disse Vieira.

“Mas também, vimos que em uma grande extensão geográfica da nossa Conferência, a nossa missão ainda não se fazia sentir. Dai que intencionalmente achamos por bem abrir novas áreas de evangelização e seus pontos de pregação, com a esperança de que posteriormente crescerão e ascenderão à categoria de Igrejas donde surgirão mais tarde novos distritos eclesiásticos,” conclui Vieira.

Fazem parte da Conferência do Leste de Angola as províncias de Malanje, Lunda Sul, Lunda Norte, Bié, Cuando Cubango e Moxico, e a supervisão da República da Namíbia que representam um terreno fértil para implantação de comunidades Metodistas Unidas.